terça-feira, 1 de setembro de 2009 |

Hoje de madrugada tive uma notícia que foi estranha pra mim. Não sabia se ficava feliz ou triste.
Egoísmo da minha parte dizer isso, mas confesso que fiquei muito triste em saber que mais uma amiga está grávida. Não sei seus planos para o futuro, aliás, sabia há algum tempo atrás quando trocávamos confidências e definitivamente não era isso que planejávamos. Nosso desejo de adolescente era entrar pra faculdade, estudar, construir uma carreira, viajar e curtir a vida juntas dividindo bons momentos de conversa fiada, namorar e quem sabe um dia depois de atingirmos estas primeiras metas, casar com um cara inteligente, afetuoso, respeitoso, fiel, amável e muitos outros predicados que resultariam no cara perfeito. Decidimos até que não precisava ser bonito do tipo capa de revista, porque a beleza estava em nossos olhos, e olha que pra duas pirralhas aborrescentes essa escolha era incomum. Ela estava presente em um dos dias mais felizes da minha vida, no primeiro passo pra chegarmos a esse futuro ideal.
Separamo-nos, cada uma seguiu seu caminho. Não viajamos juntas, não curtimos a vida juntas, não mais conversamos fiado.
Eu segui pelo caminho dos estudos em busca da tal carreira profissional e por ele fiquei. Ela resolveu empurrar sua vida pra um casamento. Digo empurrar pelo fato de não ter sido planejado, de ter contrariado a família, de ser algo quase que ilegal.
Hoje ela está grávida. Mais uma criança no mundo sem ter sido planejada, mais um susto. Acho que esse meu medo de gravidez é tão grande que acabo evidenciando sempre apenas o lado ruim disso. Sei muito bem a alegria que uma criança traz pra uma casa, sei que elas têm muito o que ensinar, sei que é mais uma vida como a minha neste mundo e que ninguém tem o direito de julgar se ela merece ou não dividir o mesmo espaço que eu, até porque eu mesma sou fruto de um espermatozóide fujão e ai de quem falar que eu não deveria estar neste mundinho agora.
Esse o meu grande medo. O imprevisto. Gosto de planos, de ter noção do que está por vir, mesmo não gostando de rotina e sempre tentando burlá-la. Gostar de planos não significa necessariamente segui-los à risca, mas quer dizer pensar em todas as possibilidades e, por sua vez, em todos os seus prós e contras. É escolher o que é melhor, o mais adequado para o momento, é criar etapas para a vida, mesmo que o tempo mude tudo aos poucos, mas é ter onde se agarrar, onde se fixar pra atingir metas.
Quero ter filhos. Na verdade acho que quero... Andei refutando este meu desejo antigo. Sou extremamente egoísta. É tão árdua a batalha de viver em função de mim que não sei se consigo me abandonar. Ter um filho é se abandonar e viver em função de outra pessoa, adaptar toda sua vida, todos os seus planos, é não dormir, é fazer tudo certo pra ser exemplo, é cultivar uma árvore que vai crescer e que vai criar pernas com o tempo. Essas pernas vão demorar algum tempo pra nascer, e quando estiverem prontas pra caminhar por aí elas se vão e não teremos mais controle sobre o que plantamos. Faremos de tudo pra que esta árvore dê os melhores frutos possíveis, mas não sabemos se realmente o serão. Vai depender da lua, da estação do ano, da chuva, do sol, das pragas que podem assolar.
Não quero isso pra mim. Não ainda. E não quero isso pras minhas amigas também. Ano passado foram três, este ano mais uma. Não sei se elas estão felizes. Acredito que estejam. O tempo molda os planos e a vida continua mesmo seguindo em outro ritmo, mas sei que não era isso que nenhuma delas esperavam. Isso me entristece, me faz querer chorar, me faz pensar sobre o que viemos fazer nesse lugar estranho, com toda essa gente estranha, de hábitos e pensamentos estranhos, contraditórios, surpreendentes ao mesmo tempo que tão ordinários, tão comuns, previsíveis. Reles mortais... E eu sou só mais uma nesse desvario.

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