"A Samara é procrastinadora
Procastrina tão completamente
Que chega a fingir não ter o que fazer
Quando muito deveras tem-que!"
Fernando Pessoa que me perdoe por usurpar sua estrutura, mas eu ando merecendo uma bronca digna!
Procrastinadora, traidora de mim mesma... Faço pactos comigo e nunca cumpro. Vivo na camaradagem comigo mesma, me quebrando-galhos, sempre pensando:
- É só dessa vez! Eu me prometo!
E nunca cumpro. Último post, promessas de ser assídua, e cá estou depois de uns 2 meses. Se fosse só com o blog tudo bem, mas essa procrastinação é na vida toda, com quase tudo. Tá ficando inaceitável...
Bem, acho que já me entendi, a bronca foi dada. Não vou ficar como a minha mãe, repetindo incasavelmente a mesma coisa até que a saliva tenha se esgotado, que não haja mais ar nos pulmões, ou que eu peça penico e saia correndo. Devo passar a ter mais medo de mim a partir de agora.
Depois da bronca posso começar a fazer o que realmente vim fazer aqui hoje. Falar do tempo... Será se chove hoje?
Não, não é deste tempo que me refiro. É do tempo que está estampado na mão da minha avó. Ontem a tarde deitei com ela e ficamos batendo um papo, como sempre faço e que acho que deveria fazer ainda mais. Suas mãos denunciam que o tempo está levando-a aos poucos de mim. Há manchas em suas mãos que até pouco tempo não existiam. Manchas do tempo, da velhice. A pele está fina, muito fina. Posso tocar seus ossos com muita facilidade. Estas são as mesmas mãos que há 3, 4 anos atrás eram mais vigorosas, mais carnudas. Hoje parecem tão frágeis, que a qualquer momento podem se desintegrar.
Olhar suas mãos ontem me trouxe uma sensação tão ruim, uma tristeza ao perceber que o tempo é implacável e tudo transforma. O tempo nos dá a mão e nos leva ao fim, tirando pedacinhos da nossa casca e colocando pedaços muito maiores na nossa memória. Por mais clichê que seja dizer isso, continuo com a plena convicção de que devemos valorizar mais os momentos simples, os detalhes. Reparar mais nas mãos de quem está conosco, em seus olhos, em seus sorrisos e aproveitar a oportunidade de estar junto enquanto o tempo finge ser nosso amiguinho pois, a qualquer momento ele nos arranca de quem gostamos sem dó nem piedade...
Ps.: Estou sendo estimulada a escrever. Posso confessar que saber que há um(a) leitor(a) anônimo(a) anda enchendo a minha bola e me fazendo buscar mais disciplina pra escrever com mais frequência. Vontade tenho de sobra, mas o tempo? Este anda fugindo de mim...
Foto: Sabina Dimitriu

1 comentários:
Apesar de não ser mais anônima continuo sendo admiradora das suas observações perspicazes, dona Sam. O tempo realmente não para e não espera ninguém, e muitas vezes a vida ensina isso de forma até cruel...
Não sei o que você anda fazendo com o seu tempo ou porque a falta do mesmo tem te dado a sensação de procrastinação na sua vida, mas se você têm passado uma parte dele observando e aproveitando os melhores momentos da vida se dedicando a pessoas que você ama e que infelizmente não vão viver pra sempre, então você não deveria ser tão severa consigo mesma...poucas pessoas conseguem perceber à tempo que o tempo não espera que estejamos cientes ou prontos para as perdas inevitáveis que ele causa...
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